A felicidade de uma pessoa cria a paz quando nasce da disposição de mudar primeiro a si próprio, e essa mudança contagia os que estão ao nosso redor.
Um episódio que retrata bem isso foi vivido por Mahatma Gandhi e é contado pelo presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda:
"Um menino de 7 anos gostava muito de doces. Ele os comia em grande quantidade. Com isso, começaram a aparecer furúnculos em seu corpo inteiro. Por mais que seus pais ralhassem para que parasse de comer doces, ele não dava ouvidos. Sempre que havia doces por perto, ele simplesmente apanhava alguns para comer quando ninguém estivesse olhando.
Preocupada, a mãe do menino o levou até Gandhi e pediu-lhe que conversasse com ele para que não comesse mais doces. Após ouvir a mãe, Gandhi disse: “Por favor, volte dentro de quinze dias e eu conversarei com ele”.
Ela ficou perplexa, mas fez exatamente como foi pedido e retornou quinze dias depois. Gandhi chamou o menino num canto e não levou mais que um minuto para conversar com ele. Isso foi o bastante. Surpreendentemente, a partir daquele momento o menino parou de comer doces.
A mãe do menino ficou confusa, imaginando que tipo de milagre Gandhi havia efetuado em seu filho. Alguns dias depois, ela foi até Gandhi e perguntou: “Que tipo de milagre o senhor realizou?”. Ele respondeu que não havia sido um milagre. “Pedi à senhora que voltasse dentro de quinze dias”, disse ele, “porque eu precisava parar de comer doces durante quinze dias e assim poder pedir ao seu filho que parasse de comer doces também”. Ele havia dito isso para o menino, e afirmou que não tocaria em nenhum doce até que os furúnculos sarassem e ele pudesse comer doces novamente.
Mahatma Gandhi vivia segundo o princípio de que “eu desafiarei a mim mesmo, então, por favor, desafie você também”. E foi assim que ele transformou a atitude do garoto.
Detalhe importante, a família do menino também adorava e sempre comia doces. Não é de surpreender que não tenham conseguido convencê-lo a parar de comê-los.
Sobre esse fato e a postura de Gandhi, o presidente Ikeda comenta: “Essa era a convicção de Gandhi e o segredo do carisma de sua liderança. (...) A essência da não violência encontra-se na capacidade de educar as pessoas, e a educação consiste em ser um modelo positivo. (...)
“Os líderes de cada área da sociedade devem ser os primeiros a dar o exemplo. Devem, em primeiro lugar, sentir as dificuldades e os sofrimentos e lutar com o espírito de sacrificar-se pelo futuro.
“Como as pessoas suportaram a amarga luta pela independência da Índia? Havia tantos obstáculos para conseguir a autonomia que muitos consideravam isso impossível. Mas o povo ainda assim seguiu Gandhi. Por quê? Porque ele nunca pediu aos outros que fizessem nada que ele mesmo não tivesse feito. Gandhi sempre marchou à frente dos protestos. Ele sempre se dirigiu para os locais onde aconteciam as maiores crises e os sofrimentos. Essa é de fato a essência da não violência. Ou seja, mudar a si próprio primeiro e, com essa transformação, mudar o coração dos outros”.
(A Grande Correnteza para a Paz, v.6, p.114-116).
Gandhi. A educação consiste
em ser um modelo positivo








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