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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Infância Plena


Educação para a criação de valores
Qual é o propósito da Educação? Em vez de inventar teorias complexas, não é melhor olhar para a adorável criança que se senta em seus joelhos e perguntar a si mesmo: ‘o que posso fazer para assegurar que esta criança seja capaz de levar a vida mais feliz possível?
(Tsunessaburo Makiguti, educador japonês)

A Soka Gakkai – literalmente, sociedade para a criação de valores humanos – nasceu do pensamento acima destacado. O educador japonês, Tsunessaburo Makiguti, diante dos rumos belicistas que a educação de seu país tomava, decidiu juntar um grupo de determinados defensores da Educação plena e fundou a organização que hoje têm núcleos em quase 200 países e territórios. Desde a sua fundação, em 1930, os ideais mantém-se os mesmos. Na BSGI são muitos os projetos voltados à formação integral das crianças, cujo principal objetivo é a sua felicidade plena.

A filosofia educacional do educador Makiguti baseia-se em três importantes eixos:


1.    São papéis do professor: guia, mestre, motivador e amigo; em vez de mero organizador da informação, fonte do conhecimento e disciplinador;
2.    Nutrir na criança a compreensão e a estima pelo ambiente natural e sua proposta de que o meio ambiente das comunidades locais dos estudantes proporcionam a estrutura para todos os programas educacionais;
3.    A prática de forçar e encher as mentes infantis com partes fragmentadas de informação não resulta em pessoas plenas.

Como proporcionar plenitude às crianças de forma a torná-las adultos felizes?

É senso comum que toda criança tem o direito de errar, acertar; ousar; experimentar; fazer, refazer, desfazer; sonhar e imaginar; conhecer e arriscar; amar e ser amada. Mas a pergunta é: como deixá-la realizar tudo isso sem que a coloquemos em risco iminente? Em um mundo tão caótico em que ameaças se avizinham a cada penumbra, em cada canto, a cada esquina, as incógnitas multiplicam-se diariamente. Na maior parte das vezes, nos esquecemos da alegria que os pequenos êxitos da infância nos proporcionavam e só lembramos dos dissabores, temores e rancores e tendemos a colocá-las em redomas cada vez mais impenetráveis. E a pergunta que fica é: até que ponto tal atitude é benéfica?

O presidente da SGI, Dr. Daisaku Ikeda, no ensaio intitulado
Crianças de Vidro, explana sobre esse ponto:
“Enquanto pequena, a criança é constantemente mimada pelos pais que a deixam fazer o que quiser. Depois, de repente, faz-se um esforço súbito e frenético para ensiná-la a tomar cuidado. A essa altura é tarde demais. Uma criança nunca criará um sentido de autoconfiança em tais circunstâncias.

Já a pedagoga e mestre em Educação Rosa Maria da Cruz Braga, em seu ensaio
Olhares sobre a Infância ressalta que: “A beleza, alegria, desprendimento, ingenuidade da Infância estão sendo ofuscadas pela negligência social e familiar, maus tratos, violência de toda ordem, excluindo as crianças de viver com dignidade, sendo desrespeitada em seus direitos fundamentais”.

Ikeda concorda com essa ideia e enfatiza: “A palavra japonesa para Educação é
kyoiku. O sufixo Iku quer dizer ‘criar’. Na primavera plantam-se sementes e, dessas, crescem plantas. Os homens tiram as ervas daninhas e dão fertilizantes a essas plantas. Mas são as próprias plantas que retiram o fertilizante do solo. Criar plantas significa protegê-las e a seus arredores de modo a poderem por si mesmas se erguer e tornarem-se autoconfiantes. E, por fim, o prefixo Kyo significa ‘ensinar’, ou seja, ensinar e criar autoconfiança”.

A infância é a fase em que as principais características de caráter e personalidade são determinadas e constituídas, a partir das experiências, boas e más. Cabe aos adultos proporcionar os meios para que estas crianças obtenham o máximo de cada experiência de forma que ela obtenha, por seus próprios méritos, a autoconfiança.
O psiquiatra e psicoterapeuta, Augusto Cury, conta um episódio interessante acerca das experiências:

“Um psicólogo clínico pediu a um paciente que contasse detalhes do seu passado. O paciente se esforçou, mas só conseguiu falar das experiências que o marcaram. Vivera milhões de experiências, mas só conseguiu falar de algumas dezenas. O psicoterapeuta achou que ele estava bloqueado ou dissimulando. Na realidade, o paciente estava correto. Nós só conseguimos dar detalhes das experiências que envolvem perdas, alegrias, elogios, medos, frustrações. Por quê? Porque a emoção determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido em uma experiência, mais o registro será privilegiado e mais chance terá de ser resgatado. (..) As experiências tensas são registradas no centro consciente, e a partir daí serão lidas continuamente.(..) Em alguns casos, o volume de ansiedade ou sofrimento pode ser tão grande que provoca um bloqueio da memória. (..) Algumas crianças sofreram tanto na infância, que não conseguem recordar esse período de sua vida... Uma ofensa não-trabalhada pode estragar o dia ou a semana. Uma rejeição pode encarcerar uma vida. Uma criança que fica presa num quarto escuro pode desenvolver claustrofobia. Um vexame em público pode gerar fobia social.

Este exemplo demonstra a importância que a infância – fase tão breve da vida! – tem em decisões e impasses futuros. Ikeda ressalta que “embora pequenas, as crianças têm um enorme potencial para absorver as coisas (..) estão interessadas em qualquer coisa. Seu interesse é indiscriminado”. Os adultos que as cercam podem reagir a essas demonstrações de interesse de inúmeras formas. Podem escutar cuidadosamente ou revelar indiferença; podem estimular ou reprimi-los. As escolhas certas resultarão em crianças mais ou menos confiantes em si mesmas.
O humanista Ikeda salienta ainda que, para despertar a vitalidade de uma criança, é preciso desencavar os botões de seu talento e nutri-los ao sol, de forma a criá-la em um ambiente cheio de interesse e desafio, de sorte que possa aprender e avançar por si mesma. E esse é o grande desafio do educador do século XXI.
 
(Artigo da BSGI)
 

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